Geração Z no trabalho: o que os dados de saúde mental nos obrigam a repensar

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Nunca uma geração entrou no mercado de trabalho com tanta informação sobre saúde mental, nem com tantos problemas de saúde mental documentados. Este paradoxo define, em grande medida, o desafio que a Geração Z coloca às organizações contemporâneas.

Nascidos entre meados dos anos noventa e início dos anos dois mil, os profissionais desta geração cresceram com acesso a uma linguagem sobre bem-estar emocional que gerações anteriores não tinham. Sabem o que é burnout, ansiedade, limites saudáveis e segurança psicológica. Falam sobre estes temas com uma naturalidade que frequentemente surpreende colegas mais velhos.

E, ao mesmo tempo, apresentam os piores indicadores de saúde mental de qualquer geração no mercado de trabalho desde que estes dados começaram a ser sistematicamente recolhidos.

Os dados que as organizações não podem ignorar

O retrato da saúde mental da Geração Z no trabalho emerge de múltiplas fontes de investigação e converge numa direção preocupante.

O relatório State of the Global Workplace da Gallup, publicado em 2023, identificou que os trabalhadores mais jovens apresentam os níveis mais baixos de engagement e os níveis mais elevados de stress diário em comparação com todas as outras faixas etárias.

O Mental Health at Work Report da Mind Share Partners concluiu que 69% dos millennials e da Geração Z relataram sintomas de burnout no último ano, significativamente acima das gerações anteriores. Em Portugal, os dados do Inquérito Nacional de Saúde Mental apontam na mesma direção: as perturbações ansiosas e depressivas são mais prevalentes nas faixas etárias mais jovens do que o esperado.

Por que a Geração Z é mais vulnerável e mais consciente

A vulnerabilidade acrescida da Geração Z à saúde mental no trabalho não tem uma causa única. Resulta de uma combinação de fatores geracionais, contextuais e estruturais.

O primeiro fator é contextual: esta geração entrou no mercado de trabalho durante ou imediatamente após a pandemia de COVID-19, que perturbou a transição escola-trabalho para milhões de jovens em todo o mundo.

O segundo fator é económico: a Geração Z enfrenta mercados de habitação inacessíveis, precariedade contratual elevada e uma desconexão significativa entre qualificações e remuneração.

O terceiro fator é tecnológico: esta é a primeira geração que cresceu inteiramente em ambiente digital, com exposição constante às redes sociais desde a adolescência, o que a investigação associa a maior prevalência de ansiedade e perturbações da autoimagem.

O que a Geração Z espera das organizações

As expectativas da Geração Z em relação ao trabalho diferem das gerações anteriores em formas que as organizações ainda estão a aprender a gerir. E a saúde mental está no centro dessas diferenças.

Pesquisa da Deloitte e da McKinsey identifica consistentemente que os profissionais mais jovens valorizam, acima de tudo, culturas organizacionais que respeitem limites, que tratem a saúde mental como prioridade genuína e que ofereçam flexibilidade real.

As organizações que tratam estas expectativas como imaturidade ou falta de comprometimento tendem a perder os melhores talentos desta geração para empregadores que as levam a sério.

A armadilha do burnout precoce

Um dos padrões mais preocupantes identificados na Geração Z no trabalho é a prevalência de burnout em fases muito precoces de carreira. Profissionais com menos de três anos de experiência a relatar sintomas de exaustão que, em gerações anteriores, eram associados a décadas de trabalho intenso.

A pressão de provar valor num mercado competitivo e precário leva muitos jovens a aceitar condições de trabalho insustentáveis como normais. A dificuldade em estabelecer limites, frequentemente por medo das consequências, traduz-se em disponibilidade permanente.

O burnout precoce não é apenas um problema individual. Representa um desperdício de talento e investimento para as organizações e um sinal de que as condições estruturais de trabalho que se normalizaram não são sustentáveis.

Saúde mental como fator de atração e retenção de talento

Para as organizações que dependem de atrair e reter talento jovem, a saúde mental deixou de ser uma questão de bem-estar periférico para se tornar uma variável estratégica de recursos humanos.

Pesquisa da Glassdoor indica que a maioria dos candidatos jovens investiga a cultura organizacional e as políticas de bem-estar antes de aceitar uma oferta de emprego. As organizações que conseguem demonstrar, de forma credível, que levam o bem-estar mental a sério têm uma vantagem competitiva real.

Como as organizações podem responder de forma eficaz

Responder às necessidades de saúde mental da Geração Z exige mais do que adicionar um benefício de apoio psicológico ao pacote de compensação. Exige revisitar as condições estruturais que geram sofrimento em primeiro lugar.

Isto passa por garantir clareza de papel e expectativas, por criar culturas de feedback regular e específico, por lideranças que modelam limites saudáveis, e por disponibilizar apoio psicológico acessível, confidencial e sem estigma.

Uma oportunidade de transformação cultural

A Geração Z não chegou ao mercado de trabalho para se conformar às condições existentes. Chegou com um conjunto de expectativas que, se as organizações as souberem ouvir em vez de resistir, podem ser o catalisador de transformações culturais que beneficiam todas as gerações.

Criar organizações mais saudáveis, com maior respeito pelos limites humanos e com lideranças emocionalmente competentes, não serve apenas os jovens profissionais. Serve todas as pessoas que trabalham nessas organizações, independentemente da geração.

O papel da Workwell no suporte a organizações multigeracionais

É neste contexto que a Workwell apoia as organizações na construção de respostas adequadas às necessidades de saúde mental de equipas cada vez mais diversas do ponto de vista geracional.

Com 18 anos de experiência em saúde e bem-estar organizacional em Portugal, a Workwell desenvolve programas adaptados a diferentes perfis e momentos de carreira, disponibiliza apoio psicológico confidencial acessível a todos os colaboradores, e apoia as organizações na construção de culturas onde o bem-estar é uma responsabilidade coletiva.

A Geração Z está a pedir às organizações que sejam melhores. As que souberem responder a esse pedido terão as equipas mais saudáveis, mais comprometidas e mais sustentáveis dos próximos anos.

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Tiago Santos

CEO Workwell

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